Diário de uma pasteleira portuguesa a pasteleirar por aí...
Domingo, 30 de Julho de 2006
De onde é que tiro o café???????

  É por estas e por outras que depois há choques culturais!... Reparem no nome da máquina de café da pastelaria. Ainda bem que ainda não tinha precisado de tirar nenhum café, porque não quero imaginar a minha cara quando me dissessem de onde é que tinha de o tirar...



publicado por Rita Pastelerucha às 18:49
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Sábado, 29 de Julho de 2006
Os pasteleiros

  Hoje estou verdadeiramente contente! Os meus primeiros dias aqui não foram tão faceis como esperava, mas depois de 3 semanas e de muita paciência começo a sentir que as coisas melhoram a todos os niveis! Passado o tempo necesário de adaptação (o perguntar onde está tudo, como funcionam as máquinas, quem é quem, etc) já me sinto adaptada a este trabalho e com uma vontade renovada de aprender! As pessoas também já se acostumaram a ver-me saltitar por aquí e começam a integrar-me nesta equipa de loucos. É caso para dizer que ainda não venci a guerra, mas esta primeira batalha está ganha!

  Hoje foi o último dia do japonés que estava também a fazer um estágio na pastelaria, o Masato é um personagem: não falava, faziam ruídos estranhos quando comia e sobretudo o que me deixava mais intrigada era o seu avental de trabalho, preto, curto e... de couro! Aqui fica registada a despedida que a equipa da pastelaria lhe fez. Estes são os meus novos colegas de trabalho (da esquerda para a direita): Franco, o pasteleiro napolitano que tem 21 anitos; Paolo, o pasteleiro chefe da pastelaria; Masato, o japonês estranho e Ascanho, o pasteleiro do restaurante. O mais engraçado é que depois de ter tirado a foto o gorro do Masato começou mesmo a arder, mas claro como me ria tanto não consegui nem pegar na máquina!

  E depois de umas tartes, uns biscoitos, uns croisants e uma empreitada de gresinos ainda me convocaram para ajudar os moços da cozinha a limpar oregões selvagens. Aqui é assim, quando acada o serviço dos almoços e há coisas para fazer todos ajudam. Parece-me bem, além disso sempre é uma oportunidade para aprender os palavrões italianos que eles tão gentilmente fazem questão de me ensinar.

  E quando cheguei a casa, para não variar lá tinha a máquina de lavar roupa no meio da casa de banho. Eu sinceramente penso que a máquina se quer escapar porque nós lhe damos muito trabalho, por isso sempre que nos apanha fora de casa tenta sair...

  Depois do jantar (masa, espantem-se!) fui com os outros pasteleriros ao bar da pastelaria para uma despedida em condições do japonês, desta vez sem gorros queimados!

 


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publicado por Rita Pastelerucha às 18:40
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Terça-feira, 25 de Julho de 2006
Caldo, molto caldo!

  Já me acostumei a esta rotina e os meus dias lá vão passando entre o trabalho e o calor. Eu sei que a onda de calor é por toda a parte, mas aqui está mesmo insuportável! É que a maioria de voçês não têm de passar 10 horas ao lado de um forno... Felizmente estou em Itália, onde se fazem os melhores gelados do mundo!

  O gelado italiano é diferente dos gelados normais porque é feito com menos ar na mistura, por isso fica mais denso e cremoso. Eu adoro, está claro! Além disso têm uns sabores geniais e há geladarias por toda a parte. Os italianos adoram gelados (quase tanto como eu) e na rua anda sempre tudo com o seu cone ou tacinha. Eu já me dei ao trabalho de seguir o flujo ao contrário de uns geladitos com muito bom aspecto, na minha dificil missão de decidir qual é a melhor geladaria de Pádua! É um sacrificio eu sei, mas alguém tem de o fazer!

  No domingo foi o aniversário de um dos meus homens aqui de casa, e fomos todos e agregados a uma discoteca para os lado de Veneza. Bom, as figuras que eu vi nessa noite, precisava e 3 ou 4 blogs, meus amigos! O português é bimbito, mas o italiano!... Ele são os cordões de ouro, os cabelinhos compridos muito sebosos, os anéis que parece que são para lhes segurarem os dedos à mão, o azeitinho no peito depilado para ficarem mais brilhantes... Epá! Parece que vão estrelar ovos no peito, bimbos pá! Bimbos!

  Bom a experiencia traumática (lol) da noite italiana serviu sobretudo para estar com esta gente fora do ambiente de trabalho, porque como na pastelaria temos um horário diferente dos do restaurante acabo por não ter muito contacto com eles.

  Hoje fui jantar (vou sempre jantar ao restaurante às 19h30, mesmo que já tenha acabado de trabalhar) e entrei em estado de choque! Finalmente aconteceu: HOJE NÃO HAVIA MASSA! Passa-se algo de estranho, isso garanto-vos eu!

 

 

 



publicado por Rita Pastelerucha às 20:42
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Sábado, 22 de Julho de 2006
Visita a Torino

  A pastelaria fecha sempre às 2ªs-feiras e só trabalho domingo sim, domingo não. No meu primeiro “fim-de-semana” livre, rumei a Turín (a 5 horas em comboio) onde está a viver há 2 anos a Sílvia, a minha irmã adoptiva e o Juanjo (cunhado adoptivo). Não podem imaginar o que é ver pessoas conhecidas depois de 2 semanas intensivas com italianada estranha!

  No caminho para lá o comboio teve de ser desviado porque encontraram uma bomba! Eu fiquei realmente preocupada (não pela bomba), mas pela coincidencia: Sempre que eu estou num pais novo há um atentado (Usa-11 Setembro, Espanha- 11 Março)! Mas afinal não foi o caso, a bomba era da 2ª Guerra Mundial e encontraram-na quando estavam a fazer obras na linha. De qualquer maneira, acho que eu e as bombas e as bombas e eu...

  Lá cheguei... Turín pareceu-me uma cidade muito simpática, os meus anfitriões levaram-me a comer pizza e gelado e a dar umas voltas pelo centro. A cidade está muito bem arranjada, devido aos jogos olimpicos de Inverno que foram lá no principio desde ano. Ficou obvio que tenho de voltar, não só para os ver de novo, mas porque turín é a capital italiana do chocolate! É lá que estão as fabricas da Ferrero e de outras marcas conhecidas, portanto terei de fazer o sacrifício de fazer uma coisa terrível que se chama “chocolate tour”!

  Na 2ª feira estive num parque por onde passa o rio Po e depois de almoço (de novo pizza e gelado, eh eh eh) apanhei o comboio para regressar a Pádua. Foi bom, mas soube a pouco...

 


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publicado por Rita Pastelerucha às 20:53
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006
Il Calandrino

  Aqui fica uma foto da “minha pastelaria”. O meu trabalho de manhã consiste em fazer a montra e preparar todos os croissants e coisinhas boas para os pequenos almoços. Começo a trabalhar às 7h, depois de um café com leite (hábito espanhol) rápido no hotel, que também pertence aos mesmo donos e que fica também ao lado do restaurante e da pastelaria.

  Primeiro recheio os croissants com creme, marmelada de frambuesa e uns especiais que são metade normais e metade de chocolate que vão recheados com um creme de avelã (paixão nacional). Depois preparo todo o resto dos bolinhos, tartinhas e folhados. Sigo depois com os bolos maiores e 15 tipos diferentes de petit-fours, que são aqueles docinhos pequenos que se costumam servir com o café.

  Antes do almoço ainda ajudo a preparar qualquer coisa que faça falta e almoçamos às 11h30 com todos do restaurante, temos de almoçar cedo para que todos os cozinheiros estejam prontos antes de chegarem os clientes.

  Ainda não me deixam fazer muitas coisas sozinha porque eles trabalham com coisas muito caras e quantidades muito grandes, mas pouco a poco vou-me integrando nesta maneira de trabalhar. O italiano muitas vezes também é uma barreira, porque apesar de ser bastante parecido os filhos da mãe resolveram dar nomes todos diferentes a ingredientes e coisas de cozinha... Mas com o meu italoportunhol, que se converte num italiano indio lá me vou fazendo entender e quando não os entendo, sorriu e pronto! Pelos menos já ganhei fama de simpática, lol!

 


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publicado por Rita Pastelerucha às 20:38
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Quinta-feira, 20 de Julho de 2006
La mia camera

 O sitio onde está a casa e o restaurante fica a 8 km do centro da cidade (tenho autocarro mesmo à porta) e chama-se Sarmeola de Rubano. É sobretudo uma estrada que já explorei intensivamente nos primeiros dias e confirmando as minhas primeiras suspeitas, não tem muita coisa... nem uma loja de chineses há por aqui! O único interessante é um mini-parque e um pequeno centro comercial a uns 15 minutos a pé.

  A minha casa é um sítio curioso... vivo eu e mais 6 rapazes que trabalham no restaurante. A casa está mesmo ao lado da pastelaria e do restaurante e do otro lado está outra casa com mais 6 rapazes. Ou seja, ver homens em cuecas passou a ser a ordem do dia (culpa do calor infernal).

  Tem 4 quartos (eu estou sozinha no meu), uma cozinha e a casa de banho. Eu de facto aos moços não os vejo muito, porque temos horários diferentes, mas sinto-lhes a presença (entedem-me certo?). Isto aqui parece a casa dos 7 anões, lembram-se da história: uma casa com 7 cadeirinhas, 7 caminhas, 7 pratos, 7 copos, etc. Pois aqui é assim: 7 escovas de dentes, 7 pastas dos dentes, 7 pentes, 6 espumas de barbear, 6 giletes (não, eu não faço a barba)...

  As bancadas da cozinha têm tanta roupa, sobretudo uniformes de cozinha, que tocam os armários de cima. Na casa de banho algum dia corro o risco de não poder entrar no duche, devido à quantidade de embalagens de coisas várias. A máquina de lavar está na casa de banho e tem vida própria, começa a lavar num sítio e acaba 3 metros à frente, além disso está acompanhada de uma fila de alguidares à espera de vez para entrar, do melhor que tenho visto!

  O meu quarto é simples mas muito agradável (devido em parte ao meu trabalho de personalização), tem 2 camas (para otra possivel estagiaria), tv e ventoinha (a minha melhor amiga ultimamente, acho até que tenho de dar-lhe um nome, porque tenho a mesma relação com ela que tinha o Tom Hanks com a bola de basebol no Castaway).

  Se por um lado se torna um pouco aburrecido viver e trabalhar no mesmo sítio, a vantagem de viver mesmo ao lado do trabalho, é que saio já vestida de manhã, o que me poupa uns belos minutinhos convertidos num pouco mais de sono. Sim, porque acordar todos os dias às 6h30 não tem muita graça...

 



publicado por Rita Pastelerucha às 09:44
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Terça-feira, 18 de Julho de 2006
Notícias desde Itália!

  ... E depois das complicações do costume (exceso de bagagem, uma confusão de guichets no aeroporto, uma manifestação em Veneza e uma greve de táxis) lá cheguei ao restaurante onde vou estar nos próximos 6 meses.

  Mostraram-me a casa e o restaurante a correr e fui logo trabalhar. Os primeiros dias foram bem duros, com 12 horas de trabalho seguidas! Das 7h às 19h, e com uns sapatos novos que me deixam os pés feitos num oito. Estes últimos dias já não tenho trabalhado tanto (a dona foi de férias, isto é igual em todo o lado), mesmo assim as minhas 10 horitas ninguém m’as tira!

  Comecei o estágio pela pastelaria, em principio vou ficar aqui 3 meses e depois passo ao restaurante, onde fico outros 3 meses.

  A Itália é um pais estranho... eu tinha outra idea dos italianos, pensava que eram mais extrovertidos (mais parecidos aos espanhóis), mas não! São bastante sérios e secos, pelo menos estes do norte, já me disseram que os do sul são mais alegres.

  Com os dias tão longos de trabalho ainda não me deu tempo para ver nada, mas no meu primeiro dia livre fui dar uma volta a Pádua. É uma cidade pequena, muito antigua, com umas praças muito agradáveis e edificios bonitos. Eu tinha muita curiosidade por conhecer a igreja de Santo António aqui, não por motivos religiosos mas culturais. Aí fui eu lançada, seguindo o mapa que me deram nas informações turisticas e lá cheguei. A verdade é que a igreja é diferente, e bem mais pequena, do que eu estava à espera (aqui fica a foto para os interessados). Quando ia a entrar, o segurança parou-me logo a dizer que pusesse alguma coisa pelos ombros que assim não podia entrar que era muito desrespeituoso! Tá bem, ía agora de casaco com os 30 e muitos graus que faziam! Esta gente não está bem da cabeça... Bom e por culpa da minha camisola de alças tive de adiar a visita e por todas as velas que me encomendaram noutra altura. Fui comer um gelado, o que é que eu ía fazer...

  Já estou farta de massa, desde que cheguei só tenho comido massa ao almoço e ao jantar! É sempre diferente, mas é sempre MASSA! Reparem no que havia para jantar um dia desta semana: massa (para não variar), arroz, batatas e para acompanhar... pão! Vivam os hidratos de carbono!



publicado por Rita Pastelerucha às 20:57
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Segunda-feira, 3 de Julho de 2006
Eu vou, eu vou... a caminho da Italia eu vou!

  Como se pode acumular tanta coisa em 3 anos? Realmente não sei… mas sim sei que deveria editar uma guia chamada:” Como levar tralha que encheria um camião (mais uma mãe) num pequeno fiat punto alugado?” A resposta? Tetris, meus amigos! Mostraram-se proveitosas todas as horas da minha infância a jogar esse precioso jogo no meu Gameboy! É claro que também poderia escrever o que certamente se converteria num clássico: “Como converter o seu microondas numa mala de viagem?”, mas isso fica para outra vez que o tempo é escasso!

  Pois é, a viagem de volta de Sevilha foi longa como sempre. Ainda propus à minha mãe ficarmos a viver na estação de serviço de Olhão onde fizemos uma paragem. Afinal de contas tínhamos tv, microondas, frigorifico, roupas, comida… não nos faltaria nada!

  Bom, lá cheguei e não fiz mais nada em casa que não fosse arrumar caixas, livros, roupa, enfim… E depois imensa papelada para tratar, as burocracias do costume para se mudar de país.

  E assim se passaram as minhas férias (que de férias não tiveram nada) e já vou amanhã para Itália! Vou de manhã cedinho para Veneza e devo chegar ao que será a minha casa no próximo meio ano lá para a hora do almoço.

  Estou contente por ir, é bom começar de novo alguma coisa. Só fico chateada de não estar aqui para ver o jogo na 4ª feira, mas na bagagem já pus a minha bandeira! Por falar em bagagem, como é que esta gente quer que eu ponha em 20 kg, coisas para 6 meses??? É obvio que esta gente das companhias aéreas nunca foi fazer um estágio! Está claro que vão ser os responsáveis por todas as compras que eu fizer lá! 

  Fiquem atentos por aqui, assim que possa faço o relato das minhas novas aventuras desde o país-bota! Acho que vou mudar o subtítulo do blog e tudo…

 

 



publicado por Rita Pastelerucha às 23:43
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